Segunda, 24 Abril 2017

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Recolher emoções ao longo do caminho da vida é uma das formas alternativas de acrescentar qualidade ao bem viver. Muçum, terra de um povo heróico e valoroso, cujos ancestrais aprendemos a amar e respeitar, pois nossas raízes se identificam.

De acordo com antigos mapas da região e, especialmente, do território de Muçum, datados de 1870, 1878 e 1880, as áreas de terras eram, em sua maior parte, de propriedade de Eduardo Palassin Guinle, Coronel José Francisco dos Santos Pinto, irmãos Manoel, Francisco e Saturinino DUTRA E Antônio Fialho de Vargas, além de outras pequenas áreas devolutas, que eram de propriedade do Governo.

O nome “Mussum”, ainda grafado com dois “S”, apareceu escrito em um relatório elaborado em 1862, pelo engenheiro militar, Capitão Antônio Augusto Arruda, do Exército Nacional, ao efetuar um completo levantamento das cachoeiras existentes no rio Taquari, desde o Porto de Estrela até o incipiente povoado de Santa Bárbara, na foz do Rio Carreiro.

No relatório, encaminhado ao Governador do Estado, Desembargador Francisco de Assis Pereira Rocha, já constava o nome da cachoeira de “Mussum”. Segundo o relatório, a cachoeira era formada por uma aglomeração de cascalho, tornando-se apenas, uma corredeira, quando o rio atingia maior volume de águas.

Os corajosos navegadores que se aventuraram a velejar, com seus barcos pelas correntezas do rio Taquari, desde as remotas épocas, já conheciam a cachoeira existente no rio, sob a denominação de “Mussum”, localizada na parte fronteira, onde hoje se encontra a cidade que levou o seu nome, originado da cachoeira onde abundava o peixe “muçum”, que ainda hoje é encontrado. Portanto, através deste documento, se consta que “Mussum”, já era a denominação dada a cachoeira no rio Taquari, em 1862, cujo nome já existia há muitos anos antes.

Mais tarde, exploradores de erva-mate e pinhão, marinheiros, viajantes e os próprios povoadores primitivos que se instalaram nas barrancas do rio Taquari, usavam o designativo “Mussum”, para indicar, além da cachoeira, o porto e o povoado ainda simples.

Com a criação do município de Guaporé, em 11 de dezembro de 1903, o território de General Osório, lhe foi anexado. Mesmo que oficializada, por dois municípios, Lajeado e Guaporé, a substituição da denominação de Muçum, por General Osório, os moradores da localidade, viajantes, pessoas das vizinhanças e mesmo de outros municípios, continuavam a usar, alternadamente, o designativo primitivo de “Muçum”, juntamente com General Osório, por estar radicado ao uso comum e aos hábitos do povo.

Tamanha era a força do hábito, que era comum, a localidade ser chamada, indistintamente de Muçum ou de General Osório, mesmo em documentos oficiais da Prefeitura Municipal de Guaporé, onde eram usadas as duas designações. Popularmente, dava-se à localidade o nome de General Osório, e, ao porto, o de Muçum, já que este não teve alternada sua denominação. Em muitos escritos oficiais ou mesmo não oficiais, era comum serem empregadas, simultaneamente, as duas designações, grafando o nome General Osório e em seguida o de Muçum, entre parênteses, ou vice-versa.

Assim, ambos os nomes perduraram ao longo dos tempos, um oficial e outro de uso popular, a tal ponto de sobrepor-se “Muçum” à designação oficial de General Osório.

Nesse meio tempo, em 31 de março de 1938, pelo Decreto Estadual nº 7.199, o povoado de General Osório era elevado à categoria de vila. Já em 29 de novembro do mesmo na, o Decreto Estadual nº 7.589, alterava a denominação do distrito e vila de General Osório, para “Mussum”, ainda com a grafia de dois “s”. Esta grafia perdurou até após a emancipação política, mais precisamente até o dia 10 de julho de 1959, e, a partir do dia 11 do mesmo mês, oficialmente, passou a ser grafado com “Ç”, de acordo com uma consulta feita ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, conforme registros efetuados nos livros do Cartório de Registros Civis de Muçum.

Ainda, segundo relatos históricos, existem outras versões populares, chegadas até os dias de hoje, através da tradição, dão conta que o topônimo “Muçum”, que originou o nome da cidade, teria surgido de outras fontes:

1) Consta que os primitivos povoadores, de origem italiana, ao chegarem ao local onde hoje está acomodada a cidade, junta a praça Cristovão Colombo, teriam encontrado um grande potreiro, que fazia parte da invernada para criação de burros, de propriedade de Joaquim Fialho de Vargas, onde teriam avistado um burro de grande tamanho, que sobressaia dos demais, o qual chamou a atenção dos recém-chegados. Um deles então exclamou: “Varda que Mussom!”, o que quer dizer: “Olha que burro grande!”. “Mussom“, como aumentativo de “musso”, burro, daí a derivação de “Mussom” para Muçum, teria sido apenas uma pequena diferenciação de nasalação. Esta versão vinha fundamentada na expressão que se ouvia em tempos passados, no início do século: “Andiamo a Messa al Mussom!” – Vamos a Missa em Muçum!.

Todavia, esta afirmação esbarra frontalmente em dados oficiais, com base em que, antes de 1862, já existia e era conhecida a cachoeira de Muçum.

2) Outra versão, embora não haja documentação comprobatória, difundiu-se oralmente. Refere-se ao nome de um agrimensor que havia estado em Muçum, muito tempo antes da colonização, para efetuar a medição de terras, a pedido da família Fialho de Vargas, de nome Henrique Mussmèry, cuja abreviação do sobrenome, teria originado a denominação de “Mussum”. Esta versão não encontra amparo documental, pois, Joaquim Fialho de Vargas nasceu em 1861, portanto, não poderia ter vindo a Muçum com ele.

Com referência a esta versão, está comprovado que as terras de Antônio Fialho de Vargas foram medidas e mapeadas por Manoel José de Azevedo, em 1870, conforme mapa existente. Assim, também não foi encontrado o nome do agrimensor Henrique Mussumèry, em mais de uma centena de escrituras pesquisadas em cartórios de Muçum, Guaporé, Lajeado, Estrela e Taquari.

3) Uma terceira versão dá conta que os indígenas, para atravessarem o rio Taquari, colocavam um cipó, preso às margens, até a ilha de Muçum, e daí, um outro cipó seria colocado, da ilha até a outra margem, para que, os menores e pessoas que não soubessem nadar, agarrando-se no cipó, conseguissem atravessar o rio com maior facilidade, originando-se do cipó, o nome de Muçum.